Algumas das mais belas histórias de Portugal não são escritas, são bordadas.
Portugal guarda muitas histórias que não estão escritas em livros.
Vivem nas mãos daqueles que os criam.
Durante gerações, em muitos lares portugueses, o bordado, o croché ou o trabalho com fios e tecidos fizeram parte da vida. Eram gestos tranquilos, aprendidos naturalmente, transmitidos de mães para avós e filhas, enquanto o tempo passava lentamente.
Destes gestos nasceram algumas das mais belas expressões do artesanato português.
Entre estas, destaca-se o Bordado de Viana, originário de Viana do Castelo. Colorido, delicado e repleto de simbolismo, retrata flores, folhas e o conhecido coração de Viana, símbolo de afeto e tradição.
Durante muito tempo, fizeram parte do enxoval das jovens da região. Lenços, aventais e toalhas eram bordados para acompanhar momentos importantes da vida.
Cada ponto foi feito com calma.
Cada desenho continha um pouco da pessoa que o bordou.
Apesar de terem origem em tradições antigas, estes elementos continuam surpreendentemente atuais. Quando usados com criatividade, podem tornar-se parte do quotidiano, transformando subtilmente um visual e acrescentando identidade sem perder a naturalidade.
Hoje, continuam a recordar-nos algo essencial: o que nasce das mãos nunca é apenas um objeto, é também memória, cultura e tempo.
Neste blogue, iremos ocasionalmente revisitar algumas dessas tradições que se mantêm vivas e fazem parte da identidade cultural portuguesa.
Ponto por ponto, estas histórias atravessam gerações.
E continuam a lembrar-nos que a verdadeira beleza nasce das mãos.
Talvez seja também aí que começa a história de Inezita.
Com amor,
Inês Caramês, inezita