"Inezita — uma história de Recomeços, Força e Esperança"

a story of new beginnings, strength, and hope

À conversa com Inês Caramês, fundadora da marca inezita.
Há marcas que nascem de um plano. Outras surgem quase sem aviso, num momento em que a vida muda de rumo e nos leva por caminhos que nunca imaginámos. A inezita nasceu assim.

 

Como surgiu a Inezita?
Surgiu numa fase em que, por questões de saúde, tive de abrandar e olhar para tudo de outra maneira.
Foi nesse tempo mais lento que comecei a fazer crochet de forma muito espontânea, sem pensar em criar uma marca ou sequer em transformar aquilo num projeto. Fui experimentando cores, materiais e modelos e, pouco a pouco, começaram a nascer malas. Uma, depois outra.
Havia apenas o prazer de criar e a surpresa de descobrir algo novo. Aos poucos, aquelas peças começaram a ganhar personalidade, identidade e uma linguagem própria.
E, quase sem dar por isso, a inezita apareceu. Não foi planeada. Foi acontecendo.

 

E sente que esse início marcou a identidade da marca?
Muito.
A inezita nasceu de uma mudança, mas nunca quis que ficasse presa às circunstâncias que estiveram na sua origem.
Para mim, representa sobretudo aquilo que pode nascer quando a vida muda de direção.
Às vezes, aquilo que inicialmente parece apenas uma pausa acaba por abrir espaço para uma descoberta, uma paixão ou uma possibilidade que até então não conseguíamos ver.
Foi isso que aconteceu comigo através do crochet.

 

Costuma dizer que existem muitas “inezitas” por aí. O que quer dizer com isso?
Acredito que existem muitas pessoas que ainda não descobriram tudo aquilo de que são capazes.
Pessoas com talentos por revelar, sonhos adiados ou caminhos que nunca tiveram oportunidade de explorar.
Ao longo da vida, todos somos desafiados de maneiras diferentes. Há momentos em que precisamos de nos adaptar, de reinventar, de mudar de direção ou simplesmente de voltar a acreditar no que ainda pode vir. Cada pessoa tem a sua história, o seu percurso e a sua maneira de continuar.
Mas há também, para mim, uma homenagem muito especial às mulheres. Às tantas mulheres que, em diferentes momentos da vida, tiveram de encontrar novos caminhos e seguiram com fé, esperança e vontade de continuar a descobrir-se. É também a elas que a inezita presta tributo.
Então existe uma dimensão emocional na marca?
Sem dúvida.
Gostava que essa dimensão estivesse sempre presente, mas de uma maneira leve.
A inezita não pretende falar sobre aquilo que nos acontece, mas sobre aquilo que podemos fazer a partir daí.
Sobre a capacidade de transformar uma mudança numa possibilidade.
Sobre aquilo que podemos descobrir em nós próprios quando a vida nos desafia.
E sobre essa força tão humana que, muitas vezes, só percebemos que temos quando precisamos dela.

 

O crochet acabou por ganhar também um significado especial?
Sim.
Há algo muito bonito no facto de uma peça nascer ponto a ponto.
Começamos apenas com um fio e, lentamente, aquilo vai tomando forma.
Talvez a vida também tenha um pouco disso.
Nem sempre sabemos exatamente onde vamos chegar. Vamos experimentando, construindo, desfazendo quando é preciso e começando de novo de outra maneira.
Até que, a certa altura, olhamos para aquilo que nasceu e percebemos que o caminho também fazia parte da criação.

 

O que gostaria que alguém sentisse ao usar uma peça inezita?
Antes de tudo, quero que goste dela. Que se sinta especial, confiante e com vontade de a tornar sua.
Mas gosto também da ideia de que cada peça possa transportar uma pequena mensagem.
A de que nunca é tarde para nos surpreendermos a nós próprios.
Para descobrir uma paixão.
Para começar alguma coisa.
Para mudar de direção.
Ou simplesmente para acreditar que ainda existem possibilidades que não conseguimos ver.

 

O que é, afinal, a inezita para si?
É uma marca, claro. Mas, para mim, acabou por se tornar também um símbolo.
Um símbolo de criatividade, transformação, descoberta e esperança.
É também um tributo a tantas mulheres que, perante os desafios da vida, encontraram novos caminhos e continuaram a escrever a sua história.
Mas a mensagem da inezita é maior do que isso.
É para todos aqueles que, em algum momento, precisaram acreditar que ainda havia qualquer coisa nova por descobrir.
Se a inezita puder deixar uma mensagem, gostaria que fosse essa: a vida pode mudar de rumo e, ainda assim, abrir espaço para alguma coisa bonita, inesperada e inteiramente nova.
E talvez o mais importante seja nunca esquecer isto: Cada pessoa pode conseguir muito mais do que imagina, mesmo quando ainda não sabe do que é capaz.

Com carinho,
Inês Caramês (Fundadora, inezita)
& A Equipa inezita

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